Páginas

sábado, 9 de abril de 2016

09-04-2016: dois anos desde a tua partida.

Querido pai,
No dia em que celebraremos o segundo aniversário do teu falecimento, não poderia deixar de te escrever. Como o tempo consegue, ao mesmo tempo, passar tão rápido e tão devagar. Às vezes parece que não te vejo há tanto tempo que se torna difícil recordar com exatidão o teu rosto; outras vezes, sinto que ainda ontem te abracei e te disse que ia dormir, certa de que te veria no dia seguinte. Hoje, por volta das seis e meia, realizaremos uma missa em tua honra, onde os nossos amigos e familiares marcarão presença, numa singela homenagem ao grande Homem que foste e serás.
Sinto-me triste todos os dias, por mais que ninguém o veja, e que poucos o saibam, sofro muito. Sofro muito, e sinto muitas vezes que devia chorar, devia viver o luto, sem conter os gritos, a raiva, as lágrimas, mas não consigo. Não consigo libertar-me desta máscara que criei para mim e onde me protejo, não consigo chorar tanto quanto queria, e principalmente, tanto quanto preciso, porque chorar implica explicar a todos aqueles que me rodeiam que ainda não consigo acreditar, e que ainda espero que tudo isto não passe de um pesadelo, e que um dia, tal como escrevi no meu livro, na "Madalena", tu regresses, rodando a tua chave na porta, com o teu sorriso e a tua barba, com a tua esperança e com a tua garra, com o meu porto de abrigo, com os meus sonhos, com a minha alegria.
Há dias particularmente difíceis, e este já está a ser um deles. Está a ser um deles porque hoje as pessoas abraçam-me e beijam-me mais do que o habitual, e falam de ti, e dizem-me que tens orgulho do que tenho feito e naquilo em que me tenho tornado, e ao invocarem o teu nome relembram-me de como durante dezasseis anos fomos uma família tão feliz e unida, e em como nada podia ser melhor. Abraçam-me e beijam-me e eu não consigo não acreditar que estás morto, porque se estivesses vivo não rezaríamos por ti, e as pessoas não choravam, e a mãe não estaria particularmente desanimada e a tentar desesperadamente que não o notemos.
Nestes dois anos que passaram por vezes a voar e outras vezes como se alguém me cravasse as suas unhas no meu peito até sangrar, nunca te esquecemos por um segundo. Só te posso agradecer por isso, por teres sido tão bom, tão grande, que jamais me senti perdida por não me lembrar de ti ou de nós. Obrigada por estares em mim e por fazeres com que seja melhor. Obrigada por seres o pai mais presente do Mundo, mesmo estando a quilómetros e quilómetros de distância, numa viagem que não terá fim e onde nos encontraremos mais cedo ou mais tarde. Prometo que ainda nos vamos ver, e que continuarei a ser a tua bebé, e que levarei comigo muitas vitórias, muitos sonhos concretizados, e muitos, muitos beijinhos, todos aqueles que guardei desde que partiste e que anseio desalmadamente libertá-los.
Amo-te muito! Lembrar-nos-emos para sempre do dia em que morreste, mas lembrar-nos-emos ainda mais do tempo em que viveste, e será sempre esse que recordaremos com um sorriso e com saudades.


2 comentários:

  1. Olá Francisca ! Estou de férias "forçadas" porque mudei de emprego!m e calhou ligar a televisão e ouvir a tua reportagem no programa da Fátima ! Não tenho por hábito ve lo ... Até porque não tenho horário de trabalho para tal. E fiquei estática ao ouvir as tuas palavras. De motivação, de força , de vontade da superação ! Fiquei orgulhosa por existirem seres humanos como tu ! Perdi o meu pai quando tinha 10anos ( cancro de pulmão em 6 meses). Aprendi ao fim de 18 anos da ausência dele que a morte não se ultrapassa. Aprende se a conviver com ela ... A encará-las de frente quando necessário (porque entretanto infelizmente já tive mais perdas muito importantes para mim) mas seguimos em frente! Custa! Mas seguimos! Por eles que se orgulhariam do nosso caminho , da nossa estrada cheia de sucessos mas com algumas cabeçadas pelo caminho (as normais)! Não consigo deixar de te dizer uma coisa , os sentimentos existem para isso mesmo para nós os sentirmos ! Precisamos de os sentir , precisamos de chorar , precisamos de gritar , precisamos de rir ! Precisamos de nos libertar para viver ! Acredita no que te digo! Não leves a mal este gigante comentário . É um enorme elogio a grande MULHER que já és . E um grande elogio a tua palestra do ted talk ! E trata se também de um pedido de partilha de vida de história se quiseres . Também para te ajudar claro . Gostava de um dia uma tarde em que sol decidir sorrir que um café nos acompanhasse numa conversa ! Obrigada Francisca! Pelo exemplo , pela coragem que transmites a cada pessoa com as tuas palavras ! Beijinhos

    ResponderEliminar