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segunda-feira, 28 de abril de 2014

A vida fugiu de ti.

A nossa vida não tem sido fácil: cada uma de nós precisa das outras mais do que qualquer coisa no mundo e, ao mesmo tempo, afastamo-nos quando nos sentimos mais em baixo, na esperança infundada de não mostrarmos as nossas fraquezas. Às vezes parece que estamos a viver um sonho, involuntário, ridiculamente real. Às vezes, quando acordo, esqueço-me de que somos só nós e, só quando te procuro me apercebo de que não estás. Têm sido dias complicados, onde a melancolia, o desespero e a saudade se misturam e fazem com que me sinta permanentemente fora de mim, como que alguém que observa tudo, de longe, com uns binóculos tão bons que conseguem mostrar a quem os usa os sentimentos daqueles que praticam a ação. Tem sido angustiante, diria impossível de viver. A tua ausência, a tua presença. Procuro-te constantemente em mim e é rara a vez que te encontro... Sei que estás vivo, e eu sinto que estás aqui, na nossa casa, a ver-nos a tentar sobreviver, a ver-nos a tentar fazer aquilo que tu querias, aquilo que tu gostavas. Eu sei. Eu sei. Mas a verdade, a verdade... A verdade é que não te consigo encontrar no meu coração. Quando penso em ti... tu não imaginas o quanto ele abranda. As lágrimas apoderam-se de mim e aquela dor no peito que tanto tento aguentar alastra-se e faz com que pensar em ti seja como olhar para um buraco sem fundo, onde, por mais que tento, nunca acho o teu rosto lindo, que sempre fez de mim tão feliz, tão esperançosa. Dizem que és uma estrela no Céu, que olhas por mim, que me amas mesmo estando longe. Ai... Como quero acreditar nisso. Como quero sentir o teu abraço, como quero ouvir a tua voz. Sonho tanto contigo. Desejo tanto reaver-te. Temos tanta coisa para fazer, tantos sonhos para partilhar. Se és uma estrela porque não brilhas quando me encontro na escuridão? Onde estás quando preciso da tua voz? Porque não te sentas quando meto o teu prato para jantar? Porque não respondes quando falo contigo? Ensinaste-me tanta coisa sobre a vida, tanta coisa sobre os outros. Deixaste tanto ainda por dizer... Porque não me sussurras ao ouvido quando estou a adormecer? Porque não me beijas a testa quando preciso de carinho? Não me deixes! Não me deixes desistir! Não me deixes, pai. Preciso tanto de te encontrar. Preciso tanto que me ames, que cuides de mim. Até quando te vais esconder? Quero encontrar-te no meu coração, quero sentar-me ao teu colo e ouvir que está tudo bem, que estás aqui.
Porque é que a vida nos fez isto? Porque é que a vida fugiu de ti?




3 comentários:

  1. Marta Pereira (irma do Joao Pereira)28 de abril de 2014 às 15:36

    Texto profundo, bonito!
    Força querida :)

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  2. Força francísca. Sigo teu blog felizmente pk me ínspiras e fazes-m sentir bem dpois d acabar d ler teus textos e infelizmente desd k soube da triste noticia :-( teu pai foi meu prof no idjv, ainda estou pa digerir essa realidade. Deixo vos um forte abraço sentido d mta coragem ,sejam felizes a vossa maneira tal como teu pai gostaria k fossem.

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  3. Desejo-te a maior força do mundo para ultrapassar tudo de cabeça erguida.

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