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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Despida de tudo

É Dezembro. Lá fora chove como se não houvesse amanhã e eu continuo deitada na minha cama, longe de tudo e de todos. Tapada até à zona da barriga, e aconchegada pelas almofadas que me embalam nas noites de descanso, escrevo tudo aquilo que me vai na alma. A música está no máximo e as ideias libertam-se da minha cabeça de uma forma desorganizada e demasiado espontânea. Tento apanhá-las de forma ordenada, mas sei que a minha vontade é em vão. Os meus dedos deslizam por um teclado que é aquilo que de melhor tenho. Um teclado que já foi pisado e pressionado, que já absorveu lágrimas e sorrisos e que me acompanha nesta caminhada de destino incerto. É neste quarto que passei as noites a escrever e é neste quarto que passei os dias a olhar para o tecto e a imaginar como seria se não ficasse ali especada, e fosse ver o Mundo lá fora. Foi aqui, exactamente nesta posição, que sonhei, que criei e que inventei. Foi com este teclado ao meu colo que pensei que não conseguia continuar e foi de unhas cravadas às suas teclas que nunca desisti. Foi com a música neste volume que solucei cada vez mais baixo com medo que me ouvissem e foi aqui que gritei para que tudo voltasse ao antigamente  Foi a olhar para um ecrã recheado de palavras, com os olhos húmidos, que desejei as coisas mais complexas e pedi que as mais simples nunca me abandonassem. Foi neste quarto, neste mesmo quarto, que acreditei que podia voar, que podia criar, e que podia mudar. Podia mudar o que sou, o que me rodeia, e aquilo que me entristecia na altura... Foi aqui, exactamente aqui, que, em frente ao espelho, ensaiei discursos e conversas que queria ter, e foi também aqui que me lamentei por, na altura das ditas, ter-me ido embora por medo ou vergonha.
Este é o meu sítio especial, é aqui que, acima de tudo, sou só eu. Despida de tudo, simplesmente só eu.

 



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