Páginas

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Tenda do Amor

Estava uma noite fria, onde a humidade se entrelaçava na nossa roupa e fazia questão de nos gelar os ossos. Caminhávamos de mão dada pela rua que nos levava para o nosso destino. Olhávamos para a balburdia que se via na cara das pessoas, que bebiam e se movimentavam de forma desorganizada, entrando e saindo dos bares, rindo muito alto e espalhando um cheiro inconfundível a tabaco. Nós os dois, caminhávamos devagar. Éramos como seres invisíveis, abstraídos na loucura da noite e concentrados unicamente um no outro.
Tu apertavas-me a mão com carinho, e com a cabeça apoiada no teu ombro, acelerávamos o nosso andar, na pressa de chegarmos ao jardim onde tínhamos montado a nossa tenda. Éramos viajantes, puras almas que se moviam com a casa às costas. Queríamos conhecer o mundo, a figura em si, não as pessoas que o constituíam. Por mais estranho que parecesse, para nós, termo-nos um ao outro, era o suficiente e por isso nenhum de nós necessitava de mais ninguém.

Entrávamo-nos na tenda e com o teu jeito carinhoso, ajudavas-me a entrar no saco de cama e depois, deitado ao meu lado, acarinhavas a minha face, com os teus dedos de pura bondade. Dizias-me palavras bonitas ao ouvido e fazias com que me sentisse amada. Depois, com toda a timidez que faziam de ti um rapaz especial, abraçavas-me e beijavas-me os lábios na insegurança do teu acto. Eu correspondia-te e também eu te beijava, lentamente, os teus lábios que tantas vezes me diziam coisas lindas. Acarinhávamo-nos mutuamente e deixávamo-nos levar pela música da água a cair na tenda.

Dormíamos abraçados e no dia seguinte, quando eu acordava e te via, as minhas lágrimas subiam-me aos olhos, vindas do coração. E sabes porquê? Porque sabia que aquilo não duraria para sempre.

1 comentário: