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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Numa Escola com Contrato de Associação

São sete e vinte da manhã, as portas do Colégio estão a abrir, vêem-se os primeiros carros, os primeiros funcionários. Podem ter acordado há pouquíssimo tempo, ou até podem ter acordado há horas para chegar a tempo de preparar tudo, mas correm apressadamente para todos os lados, com um sorriso na cara e abrem as grandes portas, que dividem o mundo exterior da segunda casa de mais de setecentos alunos, a escola. As funcionárias do bar fazem os lanches, ligam a torradeira, a máquina dos sumos, metem os chocolates organizados por sabores e começam logo a cantar, pois sabem que se elas estiverem bem-dispostas, os alunos, que por elas são atendidos, ficarão igualmente bem-dispostos, e esse é o objectivo. A funcionária da papelaria arruma as canetas, os lápis e todo o material escolar, para que, quando o primeiro aluno da escola entre, tenha à sua disposição tudo o que lhe é oferecido nesta instituição. E o último aluno terá o mesmo que o primeiro, pois, numa Escola com Contrato de Associação, só há horas para abrir, as horas de fechar dependem das crianças, dos pais e da disponibilidade de ambos. Os professores, os funcionários e todo o corpo docente encaram cada minuto passado a mais na escola como um minuto a menos de preocupação dos pais e isso é gratificante. O objectivo de cada funcionário e professor é dar aos alunos tudo aquilo que os faz ir à escola, passando também isto pela educação, pelo carinho e pela amabilidade. Todos sabem o nomes de cada estudante e todos os alunos o nome dos respectivos. Sabemos a quem pedir auxílio se nos magoarmos no joelho, se a nossa carteira desaparecer ou até se precisarmos de ir ao médico. Os funcionários são como os nossos avós, querem sempre alcançar os pais, que, numa Escola com Contrato de Associação, são os professores.

Passado uma hora, a escola já terá os seus setecentos alunos. Correm todos apressados, uns saltam dos autocarros, outros do carro da mãe, mas sempre com um sorriso. A pergunta que se faz e que provavelmente faria se não fosse um desses alunos era: porquê tanta felicidade todos os dias só para ir para escola? Porque não somos alunos normais, crianças normais, que pedem aos pais para ficar mais cinco minutos na cama? Pois bem, cada aluno, numa Escola com Contrato de Associação, sabe o quão importante é chegar a horas, sabe o quanto se pode perder da matéria pelos cinco minutos que ficamos a mais na cama. Sabe que a vida, como ela está hoje, tem de ser aproveitada ao máximo… um aluno numa escola destas, aprende, desde pequenino, que a escola é mais do que aquilo que muita gente vê: é a nossa casa, aquela de onde levamos dias bons e dias menos bons, mas aquela casa em que sabemos que, nos dias menos bons, está lá alguém e, por vezes, mais que uma pessoa, a fazer esforços, todos os possíveis, para que o teu dia menos bom não seja um dia mau.

Numa Escola com Contrato de Associação, o dever de cada professor estende-se a muito mais que um ordenado ao final do mês. Estende-se para lá daquilo que lhe é pedido, daquilo que lhe é exigido por lei. A lista de coisas, para além dos programas que cada professor tem de dar às suas turmas, é enorme. O carinho, a disponibilidade, a compreensão, a paciência, a amizade, a solidariedade, o apoio: tudo aquilo que cada aluno precisa, tudo aquilo que jamais encontraria num livro ou numa gigante biblioteca têm à sua disposição, vindo de cada professor, de cada elemento deste estabelecimento.

Todos prezam para que sejam felizes. Todos acolhem ao teu bem-estar, à tua felicidade.

O professor pode ter milhões de problemas, pode precisar de desabafar com o seu irmão, com o seu amigo, pode ter tido um dia complicado, pode ter dado aulas desde as oito e quarenta, mas se, numa Escola com Contrato de Associação, precisares de falar com um adulto, ele será o primeiro a dizer para te sentares, para contares aquilo que te preocupa. E pode tocar, pode ter combinado ir lanchar com os outros professores, mas se tu ainda tiveres algo a dizer, estará sem pressas, a pensar só em ti e no teu problema.

Nas aulas, a exigência é elevadíssima. Numa Escola com Contrato de Associação, cada aluno é encarado como uma pessoa com imensas capacidades, que, na opinião de cada professor, só têm de ser trabalhadas. No meio de cada matéria, os nossos “papás” da escola perguntam se alguém tem dúvidas e não se importam de repetir, para os que estavam atentos ou não; dentro e fora das aulas, os alunos são todos iguais e a forma como são tratados rege-se pela mesma regra.

Nestas escolas, que falo com imenso orgulho por estudar numa das noventa e três espalhadas pelo país, não há distinção entre o pobre e o rico, entre o gordo e o magro. Há distinção entre o que ama e o que odeia, o que ajuda e o que despreza. Porque é isto que aprendemos nos intervalos com os nossos colegas, nas aulas com os nossos professores! Numa Escola com Contrato de Associação, não és mais, nem menos que ninguém, és tu próprio e é assim que tens de enfrentar o Mundo. Não tens que agradar mais ninguém a não ser aquilo que vês ao espelho, podes fazer sempre melhor, tens a ajuda de toda a escola para que ultrapasses aquilo que achavas impossível.

Tudo isto, porque uma Escola com Contrato de Associação leva-te a sítios onde jamais imaginarias estar, dão-te um futuro, uma casa para a vida. Uma Escola com Contrato de Associação acha-te demasiado precioso para andares sozinho na rua e, por isso, todos os professores, todos os teus colegas e funcionários te acompanham… Para que nunca sejas desviado do teu caminho.

(…) E todos os dias, quer tu tenhas tido sorte no futuro ou não, vais-te lembrar porque és assim, porque ages desta ou daquela forma e aí, tal como eu, vais dizer:

-Eu estudei numa Escola com Contracto de Associação.




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