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terça-feira, 19 de julho de 2011

Olha-me com atenção

Sou eu. Olha-me hoje com atenção, tenta descobrir quem sou. Envolve-te num pensamento claro e profundo e vê para além do meu corpo, para além das vozes que falam de mim. Olha-me agora concentrado, observa-me. Vê todas as minhas expressões, repara na forma como me mexo. Sente todos os meus movimentos, sente sem precisares de me tocar. Mira-me com os teus olhos pouco sábios sem uma ideia fixa no teu cérebro de quem sou, só assim conseguirás ser verdadeiro. Pensa no que significará o castanho esverdeado dos meus olhos, a forma como me visto. Não tires conclusões erradas do meu sorriso, adivinha-o se assim o pretenderes.  Envolve-te num pensamento claro e profundo, tenta ver para além de mim. Não me pesquises, não perguntes aos outros quem sou. Não me tentes investigar, ignora o meu processo. Não me tentes seguir, observa-me quando eu te der autorização para tal. Não faças de mim modelo para um quadro teu ou personagem para uma narrativa tua, não me prendas. Olha só para mim, olha-me com os teus olhos simples, com aqueles que só querem ver o real aborrecido. Não fantasies acerca daquilo que já possa ter feito ou que julgas que vou fazer, baseia-te no meu presente. Encara isto como um jogo, mas eu digo-te que não farei de mim participante. Não esperes que me dê a descobrir, dá-me motivos para me querer mostrar.
(…) Sou eu. Olha-me hoje com atenção, tenta descobrir quem sou. Para além de todas as coisas que te façam achar que já sabes a resposta, vê tu, com os teus olhos. Sê fiel só a ti próprio, não esperes que os outros te digam sempre a verdade. Olha-me, para dentro de mim, sem qualquer tipo de segundas intenções e diz-me o que vês, sem medos. Conta-me os segredos que pensas ter desvendado e dir-te-ei porque estão escondidos.

Olha-me hoje com atenção, tenta descobrir quem sou. Sou eu.

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