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terça-feira, 19 de julho de 2011

Mundo, compreende!

Hoje olho para o Mundo. Vejo-o como se fosse um homem muito gordo, que comeu todos os saberes que até agora são sabidos. Olho para o Mundo como se fosse uma árvore antiquíssima, onde cada raiz é uma ligação dos tempos mais remotos. Não interessa na realidade da forma como olho para o Mundo, mas sim no que vejo quando o olho. Não percebo a lógica de quando se pergunta a um adulto “Como é o Mundo?”, a resposta ser “O Mundo está em crise”, “O Mundo já foi melhor”, “O Mundo é antigo” e outras tantas baboseiras. Sendo os adultos, segundo manda a “lei do mais forte”, os supremos de sabedoria, questiono-me o que pensarão quando tal afirmam. Idem aspas, outra coisa que não percebo do Mundo.

O Mundo não é isso. Nada disso, nada disso mesmo! O Mundo é uma incógnita, que por mais cógnitas que apareçam, se mantem sempre muitas secretas. O Mundo é um conjunto de questões para responder e um monte de dúvidas que quero perceber. O Mundo é algo tão grandioso, que não há ciência que o desvende. O Mundo é algo tão forte que é impossível ser todo conhecido: o Mundo não tem fronteiras e o seu fim é tão distante que nem com os melhores binóculos o podemos observar.

Mas não é por isso que olho para o Mundo hoje, não é por nenhuma razão especial. Não sou cientista e de curiosa pouco tenho: olho porque o quero compreender, quero compreende-lo e perdoa-lo nas vezes em que nem ele me compreende. Quero sentar-me com o Mundo e oferecer-lhe um chá. Quero que ele se sente e que juntos falemos dos seus problemas, dos problemas do Mundo. Aí, vou olhar para ele e dir-lhe-ei de voz confiante, o que penso do Mundo. Dir-lhe-ei o que acho daqui de baixo, de cento e sessenta e poucos centímetros do chão. Contar-lhe-ei o que dizem dele, se é que o Mundo não conhece Deus. Deus sabe tudo, dos fiéis e ateus e guarda-o só para ele. Deus é um bom amigo, segundo dizem. Eu acredito em Deus e acredito que tenha sido Ele a criar o Mundo. Por isso, por achar que foi Deus o criador do Mundo, desconfio que eles falem de tudo. Deus e o Mundo devem ser como pai e filho, e aposto que a relação entre eles é óptima. Devem-se deitar muitas vezes no sofá a ver televisão e a comentar as notícias do Mundo, supondo eu que o Mundo se preocupa com o que os jornalistas dizem.

Ao Mundo, descreverei todas as expectativas do que quero que ele seja e espero que ele me respeite, tal como eu o respeito a ele, cada vez que involuntariamente parece não me querer ajudar. Vou perguntar ao Mundo, porque chove no Verão, sendo este designado de tempo de calor; aproveitarei a deixa, e sem ser indelicada, dir-lhe-ei que quando faz sol de manhã, o tempo deveria manter-se igual o resto do dia… Fico chateada quando vou para a escola de saia e de repente, sem dar sinal, o céu desata a chorar. Aposto também que o Céu é filho do Mundo e faz birras muitas vezes. Chora sem motivos imagino eu. Se calhar é mimado, o que é bom por vezes, para regar as plantas. O Mundo cresce todos os dias, não precisa de dononinhos como as “pessoas” normais.

O Mundo precisa de ti, de mim, de nós. O Mundo é tão grande que faz de nós formigas habitantes de um lugar. Esse lugar é o nosso Mundo e é por isso que Mundo tem tantos significados interpretados pelos poetas: é o sítio onde cada um se sente melhor; se sente livre e capaz de ser o que Mundo o fez ser.


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