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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Nunca imaginei

Há coisas que nunca te disse e outras que pensei que nunca iria dizer. Não eram segredos, mas eram coisas que estavam tão dentro de mim, tão escondidas, tão guardadas, tão só minhas (...) eram como que pequeninos "eus", que se ligavam formando aquilo que eu na realidade sou. Eram como que pequenas pistas para atravessares um labirinto sem saída. Por mais que te indicasse por onde deverias ir, tu tinhas que seguir o teu instinto. Eu mentia-te. Sempre te menti. E tu sabias disso. Não tinha vergonha de mim, mas tinha medo de mostrar vulnerabilidade. Para isso, fui sendo mais forte. Não eu, mas sim quem eu sustentava. Fui pintando tantas vezes a cara que, quando tentei mostrar-te a minha verdadeira cor, apenas da mesma vestígios restava. Mais do que a minha personalidade, era a minha identidade. Sempre estivera escondida, debaixo de tantas outras máscaras que fui criando, por baixo de tantos outros nomes que ao longo da vida me foram chamando. Nunca imaginei que um dia teria coragem para te mostrar aquilo que realmente sou. Nunca imaginei que um dia, ao teu lado, iria voltar a fazer coisas que prometera para nunca mais. Nunca imaginei que te iria contar quais os meus medos, e, mais do que falar, nunca imaginei que me deixaria ficar, junto a ti, a ouvir-te. A ouvir-te dizer que gostavas de mim como sou. Como no fundo sou. Que a vulnerabilidade não é má, é humana. Que o erro só faz de nós homens, que a dor pode ser passageira. Tudo isso, eu nunca imaginara. Sempre fora, à tua frente, como o ferro. Podias tentar moldar-me, aproximares-te, até com o fogo podias passar, mas eu sempre ficara firme. E, de um momento para o outro, do ferro para o barro, deixei-me de tentar, de estar quase lá, de talvez amanhã, e caí à tua frente. Em vez de uma árvore forte e consistente, enraizada e corajosa, fui uma pequena flor, amedrontada e sujeita a ser arrancada sem porquês, para fazer outra mulher feliz. Deixei-me no chão, a chorar. Viste pela primeira vez as minhas lágrimas, e nada em ti pareceu oscilar. Não me tentaste levantar, não me disseste para ser forte. Deitaste-te no chão comigo. Choraste porque eu chorei. Ajudaste-me a tirar a tinta da cara. Regaste-me como se eu fosse uma pequena flor. E, desde essa altura, percebi que, contigo, podia ser eu própria.




14 comentários:

  1. Há aqueles que vale apena mostrares o teu real "eu", e eu adorei o que aqui descreves-te *.*
    sê fote, sê tu, sê feliz com ele (:

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    1. De nada. Só digo as verdades :p
      Já pedia a várias pessoas para lerem o teu blog e todas adoraram. Não houve uma que não gostasse.
      Espero que continues a escrever pois a partir de agora, depois de teres falado nas caldas com uma naturalidade incrível, vou começar a ler todos os textos que publiques.
      Irei amanha de manhã logo directa à biblioteca para comprar o teu livro.
      Se quiseres ver o meu blog estás à vontade eheheh.
      Não escrevo tão bem como tu mas acho que me desenrasco.
      BJS*
      P.S: Aquele rapazinho que te pediu o número é mesmo assim, não te assustes

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  3. Adorei o texto, continua... não te acompanho desde o inicio, mas do que já li, estás de parabéns!!! :)

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    1. ainda vais a tempo de me seguir :p obrigada pela simpatia! beijinhos

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  4. Está completamente mais que perfeito! *-*
    Todos os teus textos ou desabafos me tocam imenso no coração! Sinceramente...ajudam-me a compreender que nem a vida é tão má como parece, que por detrás de algo mau, à sempre algo bom. E que por pior que estejamos, há sempre alguém ainda pior!
    Obrigada! :)

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    1. ohhhh obrigada!!! esse é um dos meus lemas, tal como disse hoje. obrigada eu, por me teres ouvido, e teres vindo aqui, ser tão educada/o :p
      beijinhos!!!!

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  5. Adorei! Parabéns! Mal posso esperar por começar a ler o teu livro! Beijinhos :D

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    1. ohhh obrigada Rita!!! depois diz-me o que achaste, um beijinho grande

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  6. Amei mesmo... Acho que escreves mesmo bem, todos os teus textos são espectaculares. Parabéns :) e continua...
    Beijinhos

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  7. Gostei imenso..... Tens um talento enorme....
    Força, continua a lutar. Um grande beijinho! :)*

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  8. Segue o teu sonho, Francisca! Vai.

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