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segunda-feira, 26 de março de 2012

26-03-2012

Nasces. És um ser novo no Mundo, algumas pessoas dão por conta do teu aparecimento. A tua família, outras pessoas relacionadas com as tuas origens. Dás os primeiros passos, dizes as primeiras palavras. Aos poucos, deixas simplesmente só de comer e dormir. Começas a conseguir pegar nos brinquedos, a querer ser mais antónomo. Anos depois, entras na escola. Descobres os teus primeiros amigos, aprendes as primeiras coisas. Vais crescendo... Sentes o teu corpo a mudar, tentas descobrir quem és. Divertes-te muito, sofres a primeira desilusão amorosa. Tens as tuas primeiras discussões, crias uma personalidade forte, tomas as tuas primeiras decisões. Mudas. Ou continuas igual. Demonstras os teus valores, aquilo que te tentaram ensinar quando eras uma criança. Tens obstáculos, caies, levantas-te, recomeças, acabas, arrependeste, repetes. És feliz com pouco, ou triste com tudo. Queres, recusas. Aprendes o que é o amor. Desiludes-te com a forma como o Mundo é, e lembraste dos desenhos que em pequeno fazias, onde existiam sempre flores, um sol muito amarelinho e um monte de pessoas a sorrir. Apaixonas-te vezes sem conta. Perdes, ganhas. Continuas a crescer, os teus objectivos mudam. As tuas escolhas são repensadas, algumas são mesmo recompensadas. Orgulhas a tua família, acabas por conseguir concretizar os teus sonhos. Ou então não. Mas mesmo assim, continuas vivo. Crias tu próprio uma família, onde partilhas nos anos seguintes toda a tua alegria e onde tentas incutir os valores que no passado te transmitiram. Vês os frutos do teu amor a crescerem, a passar exactamente pelos mesmos processos que tu. Tentas ajudá-los, falas-lhes da tua infância. Ris-te das parvoíces e, por mais incrível que pareça, diverteste agora a pensar nas humilhações de há quarenta anos atrás. O teu corpo vai sofrendo alterações. A tua personalidade molda-se consoante o teu emprego, os teus amigos, as tuas próprias ambições. Tornas-te mais forte, mais confiante. A vida vai-te ensinando coisas, tornas-te mais sábio, mais perspicaz. E quando se passaram décadas e décadas, depois de teres tido tudo ou nada, depois de teres um número considerável de pessoas que te amam e que te querem por perto, morres. Parece um pouco injusto, não?

10 comentários:

  1. penso nisso inúmeras vezes, infelizmente é mesmo verdade!
    gostei

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  2. Fez-me lembrar esta música, se tiveres interesse dá uma olhadela "http://vimeo.com/28514508" .

    *

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  3. Adorei conhecer o teu blog e já sigo* Olha não apareces como seguidora no meu blog...

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  4. estou a seguir os teus 2 blogs e são os 2 lindos!
    obrigada por seguires também.
    beijinho (:

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  5. oh, muito obrigada! pelos vistos, tenho concorrência :) (também já estou a seguir os teus 2 blogues) beijinhos

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  6. Minha querida, ao ler o teu texto, cheguei à conclusão que afinal não sou só eu a pensar nisto de vez em quando. Acho que é injusto para todos nós, que vivemos cada dia e depois, acaba tudo.
    Não sei porque não consegues seguir,mas que sem dúvida que vou seguir o teu (:

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